quarta-feira, 20 de maio de 2026

Do ufanismo em torno do Neymar a entrega do estado para o capital privado: “Incoerências de um espírito subserviente”

 



Poeta, Contista & Cronista Social





            Um dos enigmas mais repetidos em nossa vã filosofia e no transcorrer do cotidiano se pauta nos títulos que utilizamos para abordarmos textualmente determinados assuntos. Talvez o título dessa minha reflexão produza uma certa curiosidade sobre a ligação de temas aparentemente tão distantes.

            Nesta semana pude encontrar duas queridas colegas educadoras que nunca fugiram da luta por melhores condições de trabalho e sempre procuraram articular junto aos colegas educadores a necessidade de mobilização da categoria para pleitearmos mudanças e contrapor as atrocidades dos últimos governos estaduais terrivelmente neoliberais. Tristemente desabafei com elas, que embora a luta seja louvável e amplamente necessária, a perspectiva histórica de mudanças estão sujeitas a ciclos históricos onde depois de muito sofrimento se tenta realmente estabelecer oposição ao status quo vigente.

            Vejamos: Somos residentes de um dos municípios mais pobres do RS, a maioria dos cidadãos dependem de serviços públicos, de políticas públicas e se olharmos como a extrema direita e o centro-direita  repercutem nas urnas é de chorar em posição fetal, basta olhar as câmaras de vereadores da região metropolitana, da capital Porto Alegre e a nossa Assembleia Legislativa para tentar digerir que apesar dos esforços de alguns parlamentares imbuídos do espírito coletivo, o quê prevalece nas eleições são os capachos do agronegócio, alguns picaretas da fé, defensores da volta da ditadura, apoiadores de golpes de estados, misóginos, machistas, homofóbicos, armamentistas, classistas a favor do estado zero para grande parte da população e benevolente com eles seus negócios e familiares, negacionistas da ciência, e “defensores da família tradicional brasileira” e outras tantas figuras nefastas.

            Enquanto isso em ano de copa do mundo, o brasileiro anseia pelo craque que pareceu ser há anos atrás, um homem de 34 anos chamado de menino, que não corresponde tecnicamente sequer no combalido campeonato brasileiro, cuja preocupação maior é aumentar exponencialmente seu capital, comprar souvenires como “carro do Batman”, ostentar, apoiar fascistas e não está nem aí para os torcedores do time em que joga, sequer pelos torcedores da seleção brasileira, mas que por imposição do business teve que ser incluído na lista final da seleção brasileira de futebol.

            E agora respondo a indagação do início do texto: Neymar, os privatistas, os defensores da moral, da escola sem partido, da escola com parceria pública privada, do estado perto do zero, do aumento de armas nas mãos de cidadãos cada vez mais desequilibrados, os que acham que laicidade é desnecessária não são Quixotes mas têm os seus Sanchos na população que tanto sofre, defendendo-os e conduzindo-os a um estrelato do qual não são merecedores, e ai de quem pense ao contrário.


Nenhum comentário:

Postar um comentário